René Redzepi retorna ao Noma como diretor criativo após denúncias de abusos
Notícias

René Redzepi retorna ao Noma como diretor criativo após denúncias de abusos

Cofundador do restaurante em Copenhague deixa o comando da cozinha e reassume função administrativa menos de cinco meses após pedir demissão por acusações de ex-funcionários

2 min de leitura Notícias

Menos de cinco meses depois de anunciar sua saída do Noma, o chef e cofundador René Redzepi, 48, voltou ao restaurante em Copenhague, desta vez em um cargo fora da cozinha: diretor criativo.

Redzepi comandou o estabelecimento por 23 anos e deixou o posto inicialmente após uma reportagem de março que reuniu relatos de 35 ex-funcionários acusando sua gestão de agressões, humilhações e práticas abusivas no ambiente de trabalho. Na ocasião, o chef publicou no Instagram uma nota em que assumiu responsabilidade por ações e pediu desculpas.

No novo papel, segundo informações divulgadas, Redzepi deve concentrar-se em iniciativas de longo prazo e liderar projetos de tecnologia e inovação ligados a ingredientes como algas, leguminosas e fungos, além de outras frentes de pesquisa e desenvolvimento — funções que o aproximam mais de planejamento estratégico do que do comando direto da cozinha.

Acusações e impacto

A apuração que motivou sua saída trouxe relatos de dezenas de ex-integrantes da equipe sobre uma cultura de trabalho descrita como tóxica. Funcionários relataram episódios de ameaças verbais, condutas físicas e pressões extremas durante o serviço; um ex-trabalhador descreveu episódios de empurrões e agressões quando o chefe se irritava.

Também foram mencionadas jornadas extenuantes — por vezes de 12 a 16 horas nos períodos de maior movimento — e o uso intensivo de estagiários estrangeiros que, segundo relatos, recebiam pouca ou nenhuma remuneração diante da carga de trabalho exigida.

As denúncias geraram consequências comerciais imediatas: dois patrocinadores retiraram apoio a uma temporada de jantares pop-up que o Noma planejava em Los Angeles. American Express e a startup de hospitalidade Blackbird informaram que deixariam de patrocinar o evento. Os ingressos, que chegaram a ser vendidos por US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil) por pessoa e estavam esgotados, serão reembolsados por essas empresas, que também declararam a intenção de doar os valores arrecadados a organizações de defesa dos trabalhadores do setor.

Contexto

O Noma é reconhecido internacionalmente como referência da alta gastronomia e teve papel central na carreira de Redzepi. A mudança de função ocorre em um momento em que o setor debate práticas de gestão e condições de trabalho nas cozinhas de alta performance, com atenção especial a denúncias sobre assédio e jornadas excessivas.

Leia também: PF cumpre 16 mandados no RJ na 2ª fase da Operação Sem Refino; buscas atingem endereço ligado a Cláudio Castro

via G1

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *